sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Chuva

Vai, me dê um beijo como se fosse a última gota da derradeira e teimosa chuva.
Depois, a aridez dará um tom acinzentado ao parque. Lembre-se de que logo será vaga lembrança.
Porque a terra se falecerá em torrões recortados por impiedosos raios de sol e as folhas se despedaçarão como farelo.
Um beijo como corona e limão.
Vai, empreste seus lábios como se fosse tocar um sorvete de fruta no palito.
É porque depois eles racharão até sangrar.
Temos que nos preocupar com o fogo das queimadas.
Por isso, o beijo.
Aquele que arrefece e toca a minha terra com audácia sinuosa de uma deslizante gota.
A última gota da derradeira e teimosa chuva.


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